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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
 Rafinesque, 1815
Subfamília: Arinae
 Gray, 1840
Espécie: T. melanonotus

Nome Científico

Touit melanonotus
(Wied, 1820)

Nome em Inglês

Brown-backed Parrotlet


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Vulnerável

Fotos Sons

Apuim-de-costas-pretas

O Apuim-de-costas-pretas é uma ave da família Psittacidae. Também conhecido por papagainho, periquitinho, apuim-de-cauda-vermelha e apuim-de-costa-escura. Possui dimensões intermediárias entre as do tuim (Forpus spp.) e o cuiú-cuiú (Pionopsitta pileata).

Ave rara com ocorrência na faixa costeira da Mata Atlântica do sul da Bahia até Santa Catarina. Depende de ambientes em bom estado de conservação, por isso a espécie é considerada ameaçada de extinção. Devido a seus hábitos discretos, pode passar por despercebido em diversos locais, o que pode evidenciar que sua população talvez seja bem maior do que a considerada atualmente. Soma-se a isso o fato de a espécie ser quase sempre silenciosa, frequentar o topo das árvores e possuir coloração mimética eficiente. Também é muito confundida com outros psitacídeos de seu habitat, e mesmo com imaturos desses.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (tupi) tuí eté = pequeno papagaio, periquito; e do (grego) melas = preto; e de -nötos, nöton = com as costas, costas; melanonotus = com as costas pretas. ⇒ Pequeno papagaio com as costas pretas ou periquito de costas pretas.

Características

Mede 15 centímetros de comprimento. A sua principal característica é o anel perioftálmico laranja, característica que o distingue de todos os Psitacídeos do país. Não há relatos de dimorfismo sexual aparente. Centro do dorso num vértice negro. Coloração geral verde, com matiz acinzentado no peito e ventre. Bico esbranquiçado e penas vermelhas em sua cauda curta, barradas de negro, que ficam ocultas parcialmente com a ave em repouso.

Vocalização

Vocalização estridente, de timbre metálico, marcante. Fácil de ser confundida com os chamados de vôo do Cuiú-cuiú, este porém não tem o timbre metálico. Vocalizações de outras espécies podem ser confundidas com as do Apuim-de-costas-pretas, como Tuim e Neinei.

Apuim-de-costas-pretas Cuiú-cuiú Tuim Neinei
Apuim-de-costas-pretas
WA2508092

Subespécies

Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(Clements checklist, 2014).

Alimentação

Provavelmente realiza deslocamentos ou dispersões sazonais em algumas áreas, possivelmente por pequenas distâncias em diferentes níveis de altitude em busca da frutificação de certas plantas. Sabe-se que tem grande predileção pelos frutos de Clusia spp, Clusiaceae (C.criuva, C.lanceolata, C.hilariana, C.fluminensis, etc.), e possivelmente realiza migrações altitudinais seguindo tais frutificações.

Outras plantas das quais se alimenta o Apuim-de-costas-pretas: Kielmeyera membranacea (Clusiaceae), Calophyllum brasiliensis (Calophyllaceae), Myrsine coriacea (Myrsinaceae), Psidium cattleyanum (Myrtaceae) e possivelmente as vagens de algumas Fabaceaes. Ainda não se conhece muito da dieta desta ave.










Importante:

Com a localização oficial de áreas de alimentação sazonal dessa espécie, em época posterior ao período de reprodução (outubro a dezembro), é importante que a comunidade ornitológica local inicie projetos, apoiados pela iniciativa privada ou mesmo pública, voltados à manutenção e expansão das populações de Touit melanonotus, tais como:

Sem projetos desse tipo que apoiem as atuais descobertas, o futuro dessa espécie, nessa área de alimentação conhecida, será incerto, e sujeito inclusive à caça ilegal, dado o conhecimento e localização divulgado ao público. Por Marcos Massarioli.

Reprodução

Segundo relatos de pesquisadores e mateiros, essa espécie se reproduz entre os meses de outubro a dezembro e utiliza cupinzeiros arbóreos para seu ninho, a exemplo de seu congênere da Mata Atlântica, o apuim-de-cauda-amarela(Touit surdus).











Adultos capturados dessa espécie apresentam alta mortalidade inicial quando mantidos em cativeiro, segundo informações de mateiros. Na verdade, e felizmente, a maioria dos captores não sabem como ensiná-los a comer em cativeiro, e isso certamente tem preservado a espécie, pois relatos de exemplares mansos em criadores são extremamente escassos e pouco confiáveis.

A localização de ninhos não deve ser divulgada por observadores de aves, pois filhotes ainda cegos e implumes podem ser acostumados às papas disponíveis no comércio, e mesmo às feitas em casa, sendo domesticados. Não fosse assim, o mercado internacional de petshops não estaria tão bem abastecido de outras espécies de Touit e Forpus, que são criados também legalmente em cativeiro para o comércio, algumas delas já com mutações de cor dirigidas.

Paradoxalmente, algumas espécies de Touit e Forpus sul-americanas têm tido suas populações nativas salvas e até em crescimento, justamente por essa criação legal suprir a demanda comercial, reduzindo muito a caça predatória, a exemplos do curió (Sporophila angolensis) e do bicudo (Sporophila maximiliani) no Brasil, que salvou essas espécies canoras da total extinção na Natureza.

Portanto, dados de locais de nidificação devem ser omitidos, a bem da preservação. (Marcos Massarioli).

Hábitos

Ave quase sempre restrita a ambientes florestais em bom estado de conservação, podendo eveltualmente aparecer em áreas fragmentadas ou até mesmo em ambiente urbanizado (Ubatuba/SP). Habita a faixa costeira da Mata Atlântica, podendo se deslocar entre as formações florestais de Restinga e Enconstas íngremes até Florestas Montanas ou Nebulares a mais de 1000 metros acima do mar.

Aparentemente permanece mais próximo do mar no período reprodutivo (primavera-verão), sendo relativamente fácil de ser observado neste período. No outono-inverno é mais observado nas encostas íngremes acima dos 500 metros de altitude e no topo da Serra do Mar, beirando os 1200 metros, porém bandos são vistos em qualquer faixa altitudinal em qualquer época do ano.

Estes dados ainda são insuficientes para determinar um padrão migratório para esta espécie (Ubatuba/SP, observações pessoais de Henry Miller Alexandre).

Ave que é quase sempre observada em duplas ou pequenos bandos, mas em alguns locais pode formar bandos com mais de 30 indivíduos.

Distribuição Geográfica

Até poucos anos esta era uma espécie desconhecida, com ocorrência conhecida limitada aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Atualmente são conhecidos registros também nos estados da Bahia, Minas Gerais Paraná e Santa Catarina. É provável que futuramente os esforços de amostragem completem o mapa de ocorrência desta rara espécie.

Referências

Consulta bibliográfica sobre subespécies:

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